terça-feira, 15 de agosto de 2017

se

Maja Topcagic

se te magoa o lamento do vento
canta na efervescência do dia
quando tudo se move e há ruído
para que ninguém oiça a tua voz desafinada.

antes que os sentimentos colapsam
escreve, mesmo que ninguém leia
mas são as tuas palavras semeadas
despejadas em açudes desbraváveis.

e sobre o mar lança o olhar
porque esse nunca te irá defraudar .

©Piedade Araújo Sol 2017-08-15

terça-feira, 8 de agosto de 2017

da ingratidao


que ficou…edificada nos  silêncios
carregados de ruínas
em gestos parados
imóveis em novelos de poeiras.

agora, existem  apenas vazios
preenchidos com nadas
sufocados na garganta
num grito inaudível.

©Piedade Araújo Sol 2017-08-08

terça-feira, 1 de agosto de 2017

das sombras


das sombras
que em mim habitam, deixo-as  espalhadas
muitas vezes em  parte incerta,
pelo chão que caminho,

sei que o sol abraça as pedras,
e as areias,
mesmo em temporais,
mesmo em tempo de  bonanças,

e os meus olhos são os mesmos,
só os tempos é que não, 
e a claridade do dia fere os meus olhos …

©Piedade Araújo Sol 2017-07-31

terça-feira, 25 de julho de 2017

da solidão

do dia que detém o sussurro do vento,
que me abraça _______
como se fosse um garrote imprevisível,
que me sufoca até a medula e os ossos,
a solidão _____ inteira.

ainda dia________ quase ocaso
_________quase noite
_________quase bruma.

e na praça os plátanos ondulam,
uma dança esquizofrénica,
ou um ritual de bailado descontrolado
e fora de sintonia,
ainda que, lembrando _______um lamento.

nem me importo,
meus fios de  cabelo em desalinho
desfeitos________ pela  voz do vento
que solidário desfez também
alguns vestígios de linfa_____soltos no rosto
ou cristais de sal______ talvez,
apenas isso________ou apenas solidão.

©Piedade Araújo Sol 2017-07-24 

terça-feira, 18 de julho de 2017

estilhaços ou talvez não,

Vincent-Bourilhon

em que as palavras hesitam, e ficam
numa espera anunciada, como  almas desordenadas
em completo desassossego, sem rumo real
simplesmente em espera,

não as escrevo, mas por vezes pinto-as num olhar
perdido
Incógnito e melancólico
que ninguém vê,

esfumado, caído sem tréguas
em labirintos do tempo
ou dos trilhos trocados
cobertos de pó e reflexos
ou  apenas sombras, sim, talvez,

cenários em construção
num palco devoluto
apenas fingindo existir
sem actores , nem plateia,

estilhaços ou talvez não…


©Piedade Araújo Sol 2017-07-17

terça-feira, 11 de julho de 2017

e,

Alicja Bloch


um sonho escorregou e caiu
irreflectidamente na palma da mão
e uma gota de sal
ficou perdida na face

um esboço tomou contas das águas
incolores
que corriam pachorrentamente

do lado mais alto era possível ver o sol
e a luz do  reflexo
era meramente uma sombra de ti …

©Piedade Araújo Sol 2017-07-11

terça-feira, 4 de julho de 2017

....

Katerina Plonikova

era apenas um corpo em fuga,
ensaiando um bailado,
em ritual de imprevistos,
totalmente adverso a todas as margens,
em seu redor,

e fios secretos desfiavam momentos,
dentro do lume dos enigmas,
que derrapavam,
na inquietude do instante,
feito corpo, feito fuga,

a melancolia atravessa agora as paredes brancas
da casa
pousa suavemente o olhar sobre a noite gerada
e o vento treme sobre as folhas
dos plátanos da praça.

só o rio, que tão perto estava
extinguiria
o fogo que consumia a seda_______da pele
os sonhos concluídos.

na outra margem os barcos fundeados vertiam lágrimas
que encalhavam no mar.

© Piedade Araújo Sol

Nota: Pode ler aqui 4 poemas ou apenas um
1-lendo normal e lê apenas um
2- lê só o lado direito que está em negrito
3-ler de baixo para cima só as estrofes do lado esquerdo
4-ler de cima para baixo só as estrofes do lado direito

terça-feira, 27 de junho de 2017

por vezes a saudade é boa...

karen hollingsworth

os dias passam velozes e é à noite,
dentro do silêncio que se impõe,
à secreta construção de tudo
o que é doce,
e tão necessariamente imóvel,
que sem querer eu abro as gavetas das memórias,

e sobra, sempre  a saudade com seu manto diáfano,
que cobre os meus dedos insurgentes,
que escrevem lentamente,
ante a insónia cavada e constante,
como um rochedo,
estilhaçando a nitidez da manhã,

e eu restituo ao silêncio a nudez,
das cores entre o verde e o cinza,
e a saudade ganha perímetros de maciez,
num mar imenso em que me afundo lentamente,
e em que consigo emergir incólume e purificada.

por vezes a saudade é boa e doce...

©Piedade Araújo Sol 2017-06-26

terça-feira, 20 de junho de 2017

O garrote do fogo

MIGUEL VIDAL
no meio de tanta tragédia
não há palavras possíveis
hoje só uma imensa tristeza
tomou conta de todos nós…

©Piedade Araújo Sol 2017-06-18

terça-feira, 13 de junho de 2017

palavras esquivas

Anka Zhuravleva

emudeço em mim este silêncio em que mergulho inteira,
este calar em expiação de causas,
em que não quero premonições,

silêncios que brotam à escassez,
das palavras que se tornaram esquivas,

que ardem violentamente na garganta,
seca,
e que abrasa em efervescência de decisões,
de conflitos,
e de caminhos ainda e sempre por desvendar.

©Piedade Araújo Sol 2017-06-12